Que oceano profundo traduzeria aquele olhar abissal?
Nem as pedras esquecidas dos grutões abandonados
sombreariam o olhar de quem visse aqueles olhos
Que cegamente não vi com meu cérebro embotado.
ah! quantos caminhos andei ,
quantos verões me tostaram,
as primaveras passaram
quantos frutos já caíram nos meus outonos cansados
quantos invernos choraram
E não vi o teu olhar
o teu olhar torturado.
os crescentes e minguantes, as luas cheias e novas
passaram na minha vida deixando-me rugas e morsas
vedaram-me as retinas
usaram lâmina ferina
cortando-me da vida as rosas
Só hoje na negra noite de betume lambuzada
onde o breu fere-me a a alma qual espada alucinada,
vi o fundo dos teus olhos e a tristeza que brotava
daqueles olhos translúcidos que as estrelas alumiavam
pendurados na parede de uma foto desbotada
onde eu não vejo mais a vida que me ninava
Para meu pai quando encontrei seu triste olhar
Terezinha,
Maceió, 03/12/2009
Postei este poema de minha irmã, Teca, pq estava com saudades da família e ela mandou este poema sobre nosso pai, eh triste mas lindo!!!!)