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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Um certo coração de Leaõ.....
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
UM OLHAR NO RETRATO (Terezinha Rocha de Almeida)
Nem as pedras esquecidas dos grutões abandonados
sombreariam o olhar de quem visse aqueles olhos
Que cegamente não vi com meu cérebro embotado.
ah! quantos caminhos andei ,
quantos verões me tostaram,
as primaveras passaram
quantos frutos já caíram nos meus outonos cansados
quantos invernos choraram
E não vi o teu olhar
o teu olhar torturado.
os crescentes e minguantes, as luas cheias e novas
passaram na minha vida deixando-me rugas e morsas
vedaram-me as retinas
usaram lâmina ferina
cortando-me da vida as rosas
Só hoje na negra noite de betume lambuzada
onde o breu fere-me a a alma qual espada alucinada,
vi o fundo dos teus olhos e a tristeza que brotava
daqueles olhos translúcidos que as estrelas alumiavam
pendurados na parede de uma foto desbotada
onde eu não vejo mais a vida que me ninava
Para meu pai quando encontrei seu triste olhar
Terezinha,
Maceió, 03/12/2009
Postei este poema de minha irmã, Teca, pq estava com saudades da família e ela mandou este poema sobre nosso pai, eh triste mas lindo!!!!)
sábado, 28 de novembro de 2009
Le chaton...
Marilucisa escreveu ao petit chaton da rue andre del sarte!!!
Domesticidades....
marilucia picanço escreveu esta nota agradecendo o trabalho domético de uma passadeira... na tarde outonal parisiense.. em 27 de novembro de 2009.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Sentimentos & Sofrimentos...
MPicanço em mais uma noite fria do outouno parisiense...
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Tempo....(Luiz Artur Rocha de Almeida)
Quando o apresentador “Paulo Poeta” leu as poesias “ A fúria de Setembro”, “O Rio” , e o “O Perfume” todos silenciaram e tiveram a certeza de estavam diante de uma grande Poetisa, e era simplesmente a Teca, a Filha da Nadyr Peixoto e do Luís Gonçalves, a Teca que ouviu muito o apito da fábrica Carmem chamando o pai dela para o trabalho, a Teca que assistia durante a noite escura do Porto Grande o brilho das “Tochas da Lagoa “ ( A Manguaba), enfim, a Teca que ouvia com encanto as “estórias encantadas” do sertão Paraibano. Lá estava a Teca lançando seu livro encantado , a Terezinha que , como disse “”Alba Correia” - “viveu entre três mundos” e agora encanta a todos com sua poesia única.
Minha irmã estava triste...nitidamente dava prá perceber que ela sentia a falta do ombro perfumado do seu velho pai, sentia também a falta de sua irmã mais velha, do seu irmão mais velho, da sua irmã mais nova e do seu irmão caçula...seria bom que todos estivessem ali para dividir aquela doce responsabilidade com ela, porém as faces do tempo nos faz enveredar por muitos caminhos e nos distancia uns dos outros, é a vida...mas, mesmo assim, ela estava feliz, afinal tinha acabado de realizar o seu grande sonho.
Acho que meu pai ia gostar de vê-la naquele momento...acho que o velho Juriti gostou...
L.A.
Saudades...
Este texto foi parte de uma mensagem que encaminhei a minha prima Robelza!! em 23 de novembro de 2009.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Ode a Bola!!!
Marilucia Picanço – 24/06/07
Nasci, sozinha, e muito cedo fui levada ao Campo de Santana, uma praça, grande, no Rio de Janeiro, onde deixavam os gatinhos que ninguém queria.. Sozinha, e mui pequeninha, com fome e frio, perambulei por vários dias, longos e hostis.. até que de repente, em um dia de sol, meio morno, uma linda jovem, de cabelos negros como as asas da graúna, os olhos cor de âmbar, e um sorriso que era como se vários sininhos estivessem a tocar, me pegou no colo! Era como se um raio de sol me tivesse sugado daquele martírio, e eu, tive um susto, o que seria aquilo, meu Deus? Um milagre da vida?!!.. e, era um milagre, Deus existe! Fui cuidadosamente aconchegada em seu colo que era morno e doce, com um cheiro sutil de flores frescas, e de mel. Ela cuidou de mim, tratou as minhas feridas e fui, crescendo, alegre, renascendo em uma energia sutil, revigorante, cheia de amor e ternura!!, e, era assim que me sentia. A casa era alegre e cheia de vida, energizada com a alegria de minha companheira e dona, que estava sempre de bem com a vida. Apesar de tudo, sempre fui tímida, com uma energia, sutil, calada em meu canto... Nada, reclamei!! me tornei quieta, quase passiva.. Brincava às vezes com seu namorado, um jovem ruivo, saído do reino das fadas para me alegrar. Passeava no corredor, “imenso” do prédio, um mundo mágico! Brincava de esconde, esconde, com ele, uma beleza!!.. Ali fiquei, curei as feridas, a sarna, o desgosto. Meu pelo caiu e cresceu, lindo macio e cheiroso.. ela, a linda jovem, sempre a me cuidar.. De repente, não mais que de repente, mais uma vez a vida a me pregar peças. Ela, minha companheira-dona, me leva a casa de seus pais, em Brasília, se muda, muda sua rotina sua vida, e eu felina, apegada ao lugar sofri! E como sofri! Onde estava meu cantinho naquele pequenino e fofo apartamento de uma rua cheia de arvores com cheiro de mato em Copacabana? Me assustei, recuei mais ainda, me tornei arisca! O apartamento de seus pais era lindo, majestoso, grande encantado. Cada pedaço era uma descoberta, e eu me quedei encantada mais uma vez!!! As pessoas eram boas, discretas, o som era alegre, o cheiro de terra e mato, hum delícia!!... Hum, estou amando a nova vida! Mas retornei ao Rio de Janeiro, e desta vez, confesso que detestei a nova casa, cheia de fios soltos, fedorenta, uma bagunça danada!! Minha dona tentou me acalmar, me dando carinho e mimos, mas nada disto adiantava, eu estava chata e presunçosa, triste e melancólica, nada poderia mudar. Tiraram-me minhas trompas, me castraram para a vida sexual, eu ainda mocinha, e já não poderia procriar..triste, mui triste!!! Mas é a vida, que se poderia fazer? Eu estava fadada a perecer no Campo de Santana, agora estava feliz e confortada em um apê da rua das Laranjeiras porque sofrer? Mas não consegui evitar... E, assim após meses criei uma doença na pele que não sarava, acho que foi depressão, coisa de rico, me acostumei a ser assim.. chilicosa!! Minha dona vai a Europa, aproveitou um período de férias e sem me dar tempo de pensar, me coloca no avião, de volta a casa de seus pais, eu reconheci o apartamento, grande, lindo, cheiroso, cheio de mosquitos e mariposas para eu caçar... mas, nem tudo que reluz é ouro! Eis que aparece no pedaço um novo morador: pequenino, branquinho de olhos azuis, e meio marrento, seu nome: Jobim, ah isto lá é nome de gato?! Se bem que acho esta família meio maluca, pois meu nome era Beriloz, (pensavam que eu era um felino) depois passei a ser Cléo Berlioz, mas me chama de “ Bola” pode? Pois, bem hoje estou aqui neste apartamento grande, correndo com medo do novo gato da casa, e sem minha dona para me afagar... sua mãe, as vezes, me olha nos olhos, e cheia de ternura, tenta me acalmar, me afaga a cabeça, leio em seus olhos que ela quer me agradar, mas não consigo, estou vazia, triste, sem chão... sinto-me só, quase tão só como quando a linda jovem, me buscou no Campo de Santana...
Artuzinho...
Meu amado sobrinho e afilhado Arthur,
Não imaginas como estou feliz e emocionada pelo seu sucesso e além de tudo isto, estou longe de voce. Chove lá fora, Paris está plúmbea, quase triste como os dias de chuva; me recolho, choro minha saudade de voces, da vida, de mim mesma... As vezes te vejo distante, quase ausente e me pergunto porque ? as vezes acho que fui eu quem não se aproximou de você... talvez por medo de ser invasiva, coisa que normalmente sou. Outras vezes, penso que foi a condução da vida que te levou a este ensimesmamento, tão distante, quase inatingível em seu mundo interior.
De repente, não mais que repente, como diria o poeta, me dei conta do quanto me és precioso; e fico horas a pensar em voce e me vejo chorar junto consigo a sua dor mais íntima como se me fosse possível faze-lo! vejo voce ainda pequeno, os olhos azuis cor do céu, sorrindo, alegre a participar; algumas tantas vejo voce chorando, os olhos vermelhos, tão sofrido, tão desamparado em sua dor, que me dói as entranhas da alma por não poder lhe ajudar, por não poder amezinar o seu sofrer. A minha impotência diante da vida, me tolhe, mostrando a toda hora o quanto humana, sou...
Hoje, entretanto, meu amado sobrinho, te vejo feliz, lindo, radiante como sempre foi! Te vejo ILUMINADO, como os raios do sol, e na cabeça uma coroa dos louros de uma vitória sua, só sua e de mais ninguem. Imagino a minha irmã, sua mãe, o quanto não deve estar feliz! Imagino todos aí a comemorar contigo, a sorrir, a festejar!... Imagino tudo e quase me vejo aí junto com voce, a te abraçar... como se fosse possível me teletransportar...TE DOU O MAIOR ABRAÇO DO MUNDO, TE DOU UM BEIJO NA FACE E NA TESTA, em respeito ao HOMEM que hoje se SUPEROU! CURTA, meu querido, CURTA todos os momentos, SÊ FELIZ, SABENDO QUE A VIDA É UMA SÓ E É AQUILO QUE NÓS DESEJAMOS SER... QUE DEUS TE ABENÇOE RICAMENTE ( como diria seu avó LUIZ, aliás digo eu, Seu Luiz, deve estar sorrindo, deve estar FELIZ!!!).
Com saudades, com amor, e parodiando Chico Buarque: COM AÇÚCAR E COM AFETO, aceite um beijo da sua tia/dinda que muito te ama,
Tia Mari.
Ode a Nadyr
Dona Nadyr, uma Flor de Bonina...
Nasci no inicio do século XX, na verdade quase na terceira década, e portanto sou uma pessoa do passado, mas minha mente sempre esteve avançada, penso diferente, vejo diferente e acho q nem sempre estou no compasso das outras pessoas.
Quando nasci, em uma família numerosa, eu era a ultima filha de oito irmãos... de uma família com amplos recursos... era neta de um antigo coronel destes de patente comprada e tudo... meu pai herdara as terças de meu avô, o Cel. João Peixoto da Rocha, e assim vim ao mundo em abundância e nada me fora negado, salvo a atenção de minha mãe que nesta época tornou-se enferma de uma doença debilitante, que imobilizava e doía-lhe a alma... era uma tal Artrite Reumatóide, desta que não se tem cura e até hoje a Medicina luta contra o mal provocado por ela sem grandes satisfações... minha mãe assim deu-me pouca atenção e meu pai fez como pode o duplo papel de pai e mãe... eu era o patinho feio daquela família. Todos casados ou quase casados viviam suas vidas despojados e soberanamente sem se importarem com o dia de amanhã...
Passei minha infância a pensar na vida, amadureci a duras penas pensando em mudar o mundo, mudar de vida, minha vida... tive momentos de sofrer e de glórias, amei, me apaixonei mas meu pai não aprovou.. fiquei so.. desolada, sem referência naquela pequena aldeia que hoje eh meu paraíso!!! O tempo passou,, estava quase velha para a época quando me encontrei com um jovem loiro quase ruivo do sertão, de longe da aldeia... e casei.. me fui para outras bandas, viver uma outra vida.. sentir uma outra dor..!!! Minha alma continuava sofrida, incompreendida, amargurada... não era aquilo que eu pensara!! Ledo engano de minha alma ingênua.. Tive seis filhos, uma bela prole.. todos sadios... inteligentes e alguns puxaram ao pai, generosos gentis, solidários... outros inquietos como a minha alma!!! Assim pensei que ao chegar a velhice aqueles lindos e amados filhos me tratariam com a força do amor que eu lhes dedicara.... mais uma vez a vida nos prega peças... nossos filhos não são nossos, mas filhos da vida como diria meu marido que foi cedo para o céu!! Fiquei viúva, e mais uma vez solitária em minha própria dor que parece querer mostrar a todo custo o quanto devo viver... Hoje completo 83 anos e me vejo lúcida, integra, com a mesma cabeça da jovem adolescente que um dia se apaixonou... meus valores entretanto hj são outros e minha paixão se resume a ir e vir na minha velha casa, local antigo que eu tanto detestara... mas meu corpo falha, as pernas não me obedecem, só sinto dor!! E meus filhos desconsideram meu sofrer e acham que soh reclamo que sou sofrida, nada me agrada, nada me ajuda a viver... fico no ostracismo histórico de nada poder fazer... nada poder dizer e as pessoas esquecem que um dia fui jovem, lutei, batalhei, corri, andei na chuva, no frio, no vento para que as coisas mudassem na vida de meus filhos... fiz muita coisa, briguei com o mundo....!!!
Era uma guerreira, era uma mulher ativa e meu grande defeito era reclamar para que as coisas andassem certas.. dessem certo para meus filhos.. eles não iriam passar o que eu passei eu jurei!!!
Tenho uma casa no sitio, lugar da antiga casa de meus ancestrais, local onde nasci e passei minha infância e as vezes me pego vendo os fantasmas de minha infância, de minha vida, passeando no jardim... as vezes choro sozinha a imensa dor de só ser... A imensa e triste verdade de que nada nem ninguém poderá viver por nós e me lembro de minha mãe, velha alquebrada pela dor do sofrimento com as articulações e suas passadas alquebradas me tornam o tempo presente em uma sucessão de valores reais que não posso mudar...!!!
Só me resta olhar dentro de mim e rever com saudades a minha infância e o imenso jardim da casa de meus pais todo florido, com seus lindos pés de boninas....
Paris, 31 de outubro de 2009, Marilucia escreveu em um afria noite de outono, esta ode a sua mãe Nadyr...!!!